NÓS, QUEREMO-LO VER JÁ

 

Passam os dias e fica já bem longe, longe, longe (como diria um poeta em ar cego nos séculos obscuros) a imagem perfeita e acompassada do mar bailando pelas nossas costas. Fica longe também, que ninguém diga o contrário, a convulsa e falsa ideia de olhar tudo (mar, costa, fauna, flora e gente) com semblante passado, com serôdia calma. Nom é tampouco hora, nem muito menos, de fazer honra ao passado ou de traer ao caso esse costumismo passado de rosca e abafante deste dias que tanto dano fai. A situaçom nom há de cambiar por muito que cantemos o fermosas e únicas que som as nossas costas, há de cambiar se lhe dizemos a tod@s que o especial delas radica, única e exclusivamente, em que som nossas.

Por isso é hora já, sem dúvida, de espelhar-nos num futuro claro, longe de lapsos tardios inundados em chapapotes e falácias mentireiras. É hora de quitar os veos e de colher as coisas pelo fundo, lá bem pola raíz e limpar tudo de arriba abaixo, sem esquecer-nos de que também há contaminaçom que é criadora do chapapote que hoje arrastamos e tocamos com os dedos. Há que aventurar-se a viver sem que os interesses neoliberais sejam quem de hipotecar-nos a vida, o futuro, o presente e as consciências (o que nos fica depois de tudo). Temos que erguer já o que nos deixarom de país, fazendo-lhe sentir de novo e lembrando sempre o que sucedeu e sucede: a essas e esses que apertam as cordas como, quando e porque querem. Lembrar a aqueles e a aquelas que provocam feridas que coam sangue onde mais doe, que matam, em definitiva, tudo o que se interponha entre a sua louçana carteira.

O tempo marcha e o minuteiro indica-nos a hora de esguer os olhos ao sol, prender um facho com o seu lume e queimar-lhe a consciência a quem hoje está pensando em seguir a sua eterna repichoca de falsidade,inmoralidade e miséria humana em cenários de ismos penosos,nada mais. É, já que logo, a nossa hora:a da mocidade. Temos que recompor isto, o que fica logo dum desastre sem precedente que se agocha, sem dúvida, nom só em cada mareia que chega às nossas costas. Anda, coma sombra, pretendendo alcançar maos para a sua causa, maos escravas aos serviços dumha carreira de inaniçom social, humana…desde sempre. Temos que atalhar todo isto já.

As cousas reviran-se e mais que se ham de revirar, mas nom deixa de ser, quando menos, paradoxal e estranho que para recompor um país já roto, tenha que cair até o fundo; para fazer sentir bem alto que as coisas tenhem mais caminhos, ver destroçados os meios de subsistência de miles de pessoas. De todos os jeitos, e deixando de lado estes universos duvidosos e imcomprensíveis do ser humano, temos ainda a necessidade clara de construir a nossa história com as nossas próprias maos, sem actores ou actrices alhei@s à situaçom, alhei@s a nós. Temos que arredar-nos de obscuridades e de fenómenos deste tipo, de chapapotes e de madrinhas ou padrinhos que os levam engalanados a cerimónias péssimas.

Entóm, logo disto, "cómpre-nos dizer a nós,moç@s da nossa Terra, se pensamos seguir indo costa abaixo pelo tempo ou encarad@s ao porvir". Agora toca-nos dizer que há algo além desta noite de morte. Temos que colher os nossos fachos bem dispostos e fazer-nos ouvir, dando-lhe a saber à gente que sim é certo que um outro mundo é possível. Nós, queremo-lo ver já!

María Osorio López, 16 anos
aluna de 1º de Bacherelato
do I.E.S. "Praia Barraña" de Boiro.

 

 

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